sábado, 6 de junho de 2015

Os Rios da Salgado Filho

Na noite do dia 05 de junho, como todos os trabalhadores de Porto Alegre, segui rumo a Salgado Filho, uma das principais avenidas da capital, o fim da linha do meu ônibus é lá. A chuva torrencial que fustigava a cidade até então não me incomodou em função de estar cadenciada, mas tranquila.  Porém ao chegar a Salgado Filho e claro, esperar um ônibus atrasado como sempre, a piscina natural que se formou me tirou a paciência. Com água pelas canelas, e obrigado a estar ali, via os ônibus, lotações e carros de passeio brincando de fazer onda, pois em momento algum, mesmo com os pedidos das pessoas nas calçadas, não reduziam suas velocidades. Fazendo com que uma onde de água suja, carregando copos, papeis de bala, sacos de lixo, baganas de cigarro nos inundasse até a metade das pernas. 
Volto novamente ao assunto lixo. Não entendo a necessidade básica de todo ser humano tem, de jogar o lixo nas ruas. Não defendo Prefeitura, nem Governo na questão número de lixeiras, mas acho que pode sim, guardar no bolso até encontrar uma. Quando vejo um bueiro cheio de lixo, quando vejo uma pessoa jogando lixo na via pública, sinto um asco tão grande, que não consigo me conter e disparo um: PORCO!
Numa situação, esperava um ônibus na Osvaldo Aranha, e uma mulher acendeu um cigarro (se é assim que se fala), ela deu duas tragadas e sinalizou para o ônibus. Quando entrou jogou a bagana no chão e automaticamente, o capetinha que vive em mim gritou “PORCA”. Obvio que ela ouviu, colocou a cabeça pela janela e me retrucou, que cada um sabe da sua vida. A minha vontade de fazer um belo discurso sobre higiene, urbanismo, limpeza pública e leis que punem esse tipo de ato, se esvaiu com apenas uma frase: PELO MENOS EU NÃO SOU PORCO!
O ônibus seguiu seu rumo, como se nada tivesse acontecido, com a mulher com cara de paisagem ainda na janela. Para mim de verdade nada aconteceu, pois continuei ouvindo música e seguindo minha vida. Só que na chuva de ontem, com os pés lavados de água suja, vendo a sujeira escorrendo pela rua, o lixo, me lembrei automaticamente daquela mulher que joga as malditas baganas de cigarro na via pública. Pensei em todas as pessoas que fazem o mesmo. Não me tenha como caxias, ou o super certinho, porém penso muito nos prós e contras antes de tomar qualquer atitude. E de verdade, quando tomava banho após banho de água suja, me conforta saber que carrego todo meu lixo comigo até uma lixeira. 

Porto Alegre, deu?


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