segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sujeira

Não é que eu não me canse de falar sobre a sujeira a imundice em que vivemos, mas vivemos em uma cidade tão suja e tão mal tratada que não tem maneira de começar o dia bem. Hoje como todos os dias, estava correndo para pegar o ônibus Chácara das Pedras na Praça Dom Feliciano, o horário em que ele sai é quase o mesmo em que o meu chega ao centro, correndo, pois não queria perder. Em meio a correria, segura mochila, segura celular, sinaliza para o motorista me esperar (faço isso de segunda à sexta), tive um vislumbre verde em frente aos meus pés. Um vislumbre verde? Enquanto corria, tive a brilhante ideia de olhar para o chão, não somente para frente e vi uma garrafa de cerveja quebrada. 

Que isso gente? O que é isso? 


            Me deixa de boca aberta saber que alguém consumiu aquela urina de cachorro (nunca tomei urina de cachorro que fique claro), ao lado de duas lixeiras e foi capaz de jogar na rua, além de quebrando e colocando as pessoas em risco. Poderia ter sido com qualquer outra pessoa correndo, eu não fui o único a correr esta manhã. Poderia ser  um idoso, uma criança, qualquer um, claro que o certo seria que eu recolhesse e jogasse no lixo, mas estava tão concentrado em não perder o ônibus, que não parei para juntar e colocar no lixo (#arrependido aqui), mas voltando ao cerne. Me deixa muito chateado perceber (agora escrevendo sobre o assunto) o quando a humanidade caiu num mundo de imundice e sujeira diária, onde é mais fácil colocar o lixo na rua do que nas duas lixeiras que haviam no lugar, inteiras e fazias diga-se de passagem.

Porto Alegre, deu?

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Lixo humano


Sigo vendo coisas que não podem ser "desvistas". Eu continuo acompanhando (da minha maneira) a vida desse cidadão o Porto Alegre, que tanto gosto. E vejo como a sociedade é um câncer para qualquer lugar, o quanto o ser humano vive um uma realidade alternativa só sua e onde tudo é de seu bel prazer. Vejo as pessoas cometendo os mesmo erros, causando a mesma doença que gosto de chamar de “*Brasileirismo”

*Brasileirismo, adjetivo de péssima qualidade, pode ser usado junto aos mais diversos palavrões, para determinar atitudes dos animais humanos.

            Na sexta-feira dia 19 de junho, estava na Salgado Filho aguardando o ônibus para ir à casa de minha mãe, na fila tranquilamente como todo mundo. O rapaz que estava na minha frente na fila, tomava tranquilamente uma cerveja, como é de direito seu, porém ao abrir a segunda e perceber que já estava quente, ele jogou no chão o latão cheio. Respingando algumas pessoas da fila, sujando a via pública e deixando seu lixo particular ali. A vontade de chamar o rapaz de porco foi tão grande, mas tão grande que de verdade não sei como me contive. (E o melhor vem agora!) O rapaz de posse de seus direitos, saiu da fila, atravessou a rua, comprou outro latão de cerveja e retornou para a fila como se nada tivesse ocorrido (pasmem).
            Acreditem que minha indignação foi com o ato de porco em jogar o latão na via publica. Ele furar a fila, entrar na minha frente no ônibus, trancar a roleta, pois não estava com a passagem à mão, isso tudo nem teve peso. Educação se tem em casa, isso é fato. Só que jogar o lixo na via... por favor! Como sempre digo, todo fumante é porco e isso não é generalismo, isso é a verdade. Agora os consumidores de cerveja também? O que vai sobrar da gente? Vejo que cada pessoa vive a sua vida como se fosse um indivíduo único no universo, que viver em comunidade são apenas pensamentos de filósofos e pessoas incoerentes. Que se eu quero defecar na rua, as outras pessoas que co-existem, tem que aceitar e achar bonito. Sinto pena de pessoas assim...


Porto Alegre, deu? 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Casa Dom Feliciano

Não sei vocês, mas eu sábado de manhã, fui trabalhar como sempre. Espanto pra mim que na Praça Dom Feliciano existe quarto, sala, cozinha e me assusta pensar, onde será o banheiro. Não entendeu? Eu explico! Ao lado da parada do Chacara das Pedras, existe uma escadaria que da acesso para a Praça, até aí tudo bem, porém percebi que existe uma familia morando ali. Em função do frio(acredito eu), o pai da familia estava todo enrolado em cobertas, sentado em uma poltrona, dois adultos mais jovens uma moça se maqueava com um espelho e um homem jovem conversava tranquilamente sentado em outra poltrona. E o que eu tenho a ver com isso? Me maltrata imaginar pessoas morando na rua, me passa na cabeça que tenho uma filha pequena, que não está livre de um destino parecido, que hoje se tenho um teto sobre minha cabeça, foi com muito custo e trabalho. 
            Aí você vai me dizer que pobreza existe no mundo todo, pessoas morando na rua existe no mundo todo, fome, miséria e etc... E eu te pergunto, isso faz com que fiquemos menos preocupados, faz com que não fiquemos tentando entender ou tentando resolver isso? Eu de verdade sou muito inculto, não entendo dos meandros da vida e não sou o dono da verdade. Queria apenas um pouco mais de igualdade, que aquela família que mora na praça tivesse a chance de ter um teto, indiferente dos rumos que tomaram, ou deixaram de tomar, que culminou no atual destino deles. Queria apenas que eles tivessem acesso ao menos um mínimo de chances.

Porto Alegre, deu?

sábado, 6 de junho de 2015

Os Rios da Salgado Filho

Na noite do dia 05 de junho, como todos os trabalhadores de Porto Alegre, segui rumo a Salgado Filho, uma das principais avenidas da capital, o fim da linha do meu ônibus é lá. A chuva torrencial que fustigava a cidade até então não me incomodou em função de estar cadenciada, mas tranquila.  Porém ao chegar a Salgado Filho e claro, esperar um ônibus atrasado como sempre, a piscina natural que se formou me tirou a paciência. Com água pelas canelas, e obrigado a estar ali, via os ônibus, lotações e carros de passeio brincando de fazer onda, pois em momento algum, mesmo com os pedidos das pessoas nas calçadas, não reduziam suas velocidades. Fazendo com que uma onde de água suja, carregando copos, papeis de bala, sacos de lixo, baganas de cigarro nos inundasse até a metade das pernas. 
Volto novamente ao assunto lixo. Não entendo a necessidade básica de todo ser humano tem, de jogar o lixo nas ruas. Não defendo Prefeitura, nem Governo na questão número de lixeiras, mas acho que pode sim, guardar no bolso até encontrar uma. Quando vejo um bueiro cheio de lixo, quando vejo uma pessoa jogando lixo na via pública, sinto um asco tão grande, que não consigo me conter e disparo um: PORCO!
Numa situação, esperava um ônibus na Osvaldo Aranha, e uma mulher acendeu um cigarro (se é assim que se fala), ela deu duas tragadas e sinalizou para o ônibus. Quando entrou jogou a bagana no chão e automaticamente, o capetinha que vive em mim gritou “PORCA”. Obvio que ela ouviu, colocou a cabeça pela janela e me retrucou, que cada um sabe da sua vida. A minha vontade de fazer um belo discurso sobre higiene, urbanismo, limpeza pública e leis que punem esse tipo de ato, se esvaiu com apenas uma frase: PELO MENOS EU NÃO SOU PORCO!
O ônibus seguiu seu rumo, como se nada tivesse acontecido, com a mulher com cara de paisagem ainda na janela. Para mim de verdade nada aconteceu, pois continuei ouvindo música e seguindo minha vida. Só que na chuva de ontem, com os pés lavados de água suja, vendo a sujeira escorrendo pela rua, o lixo, me lembrei automaticamente daquela mulher que joga as malditas baganas de cigarro na via pública. Pensei em todas as pessoas que fazem o mesmo. Não me tenha como caxias, ou o super certinho, porém penso muito nos prós e contras antes de tomar qualquer atitude. E de verdade, quando tomava banho após banho de água suja, me conforta saber que carrego todo meu lixo comigo até uma lixeira. 

Porto Alegre, deu?


terça-feira, 2 de junho de 2015

Socorro básico

Bom dia!
Não!
Não pense que é falta de educação, apenas a segunda-feira não foi um bom dia. Perto da hora de dormir ali pelas 22, as luzes começaram a piscar, e os estouros começaram. A fiação do poste estava em chamas, deixando assim metade da rua em meia fase. Até então todos estavam seguros, em suas casas, mas o povo não se contenta em saber do problema, tem que ver, tem que cheirar e tem que chafurdar. As mulheres gritando em pânico, crianças correndo (lembro que eram 22h, o que criança queria na rua) e o adultos ligando para os serviços de socorro.

- Alo é dos Bombeiros?
- Pode falar!
- O poste da luz ta em chamas aqui, a fiação explodiu, vocês tem que vir pra cá!
-Isso é com a CEEE sr., eles cuidam disso.

Tudo bem, cada setor trabalha em uma área, concordo que deve ser separado para que os departamentos trabalhem em conjunto com organização.

- Alo é da CEEE?
- Pode falar!
- O poste da luz ta em chamas aqui, a fiação explodiu, vocês tem que vir pra cá!
- Isso é com os Bombeiros sr., eles cuidam disso.

Eu poderia ficar horas falando em como é bem feito para o povo, (vão me enxovalhar). Não me leve a mal, mas se a fiação não estivesse coberta de ligações clandestinas, (aí ta falando o honesto, que devolve o troco quando recebe a mais)(sim eu faço isso) a fiação não entraria em curto. Se todos estivessem em dia com as suas ligações, denunciassem as clandestinas, fizessem o certo, tudo estaria bem. Não teria incêndio, não teria gritaria e nem pânico. Porém o brasileiro tem o desejo, o anseio de ser mais esperto que todo o resto da população, paga mais barato pro eletricista fazer um "gato" e liga o ar condicionado na clandestinidade. Gerando uma cadeia de acontecimentos que causa problema no bolso de todos. Me acompanhe:

brasileiro esperto - Gato na luz - Empresa de energia não lucra - conta da luz mais cara - impostos mais caros - revisão de impostos - desvio de verbas para cobrir custos - saúde, educação e segurança com verba menor - assalto, analfabetismo, morte - brasileiro esperto 

Eu não to dizendo que o "gato" na luz causa morte, (só se você for eletroplessado, aí sim) só quero mostrar que toda e qualquer ação que você tenha em detrimento da sua comunidade volta pra você com uma carga muito mair. Que você não tem que ser "caxias", mas ser um bom cidadão não custa nada, só isso. Já falei aqui de lixo na rua e se enquadra também... 

Porto Alegre, deu?


Porto Alegre, deu?

Eu sou apaixonado por Porto Alegre. O texto poderia terminar por aqui, mas não cumpriria seu papel. Hoje dia 29 de abril, acordei atrasado e me lembrei da jornada diária de ir ao meu local de trabalho e comecei a me questionar. O transporte público é bom, rápido? Vai estar lotado? Vai ser uma viagem em pé, desconfortável?

O que me deixa mais chateado, além de todas as respostas serem um grande e sonoro SIM, é que não fazemos nada para mudar. Quando ando pela cidade e vejo a sujeira, a falta de bom senso dos moradores, o descaso com o meio em que vivem, me pergunto se é em Porto Alegre que quero criar minha filha. Se é aqui que vejo ela crescendo e sendo feliz como um dia o pai dela já foi.

Eu poderia passar um dia falando sobre todos os problemas, sobre todas as coisas absurdas que todos testemunhamos, mas ninguém tem coragem de falar algo, vai valer a pena? Vou resolver todas as situações que me deixam aflito, que me deixam chateado?

Bagana de cigarro, papel de bala, restos de comida, chiclé mascado, camisinha, copo plástico, fezes de cachorro, sacola plástica, latas de bebidas, colher de plástico, caixa de leite e suco, pedaços de roupa, etc... Isso só na área da limpeza urbana, fora o que eu não lembro. Quando criam uma Lei proibindo a imundice, o povo se revolta, acha que é uma maneira do governo roubar o povo. Não defendo e nem nunca defendi o governo, mas sou a favor dessa Lei, você encontra muito mais lixo na via do que na lixeira, me desculpem, mas pra mim não serve viver assim.
Transporte coletivo com valor absurdo, carros sucateados, mal cuidados, sujos, sem as devidas adequações necessárias,  uma viagem de vinte minutos se torna uma longa viagem de horas, não só por culpa do transporte, já vamos chegar na mobilidade urbana. Você entra em um coletivo para trinta pessoas sentadas, e trinta em pé (de verdade não tenho os dados precisos) e encontra noventa pessoas, apertadas, brigando, gritando, já vi algumas chegando as vias de fato. O que é isso gente?
A cidade nada mais é do que um imenso e canteiro de obras, desculpem mas o termo '' O transtorno passa, as melhorias ficam", se prolongam por mais de meses, se não forem anos, tem tanta obra na cidade que o povo não distingue mais o que começou agora do que o que já faz parte do cenário. Sempre tive orgulho de morar em Porto 

Alegre, mas Obras Alegres não é minha cidade... 
Quanta conversa jogada fora pra ninguém ler e ninguém dar bola, depois de desabafar virtualmente cheguei a conclusão de que nada vai mudar, a consciência do povo é que deve mudar e nunca vai mudar, é muito mais fácil dar desculpas do que fazer a sua parte, é muito mais fácil jogar a culpa nos outros do que em nós mesmos, é muito mais fácil assistir a Copa e dane-se a saúde, educação, segurança... e por ai vai.


Porto Alegre, deu?